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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

E assim surgem as lendas...

Todos conhecem a velha história da Arca de Noé, mas há uma história por trás da história que jamais foi revelado. Pelo menos até agora.
É sabido que na época, Noé poderia embarcar em sua arca apenas um casal de cada espécie de animais. Mas eu me pergunto: E o resto dos animais? Simplesmente morreram? Segundo fontes, o dilúvio devastou tudo. Matou geral. Porém há uma parte da história que revelará o contrário. Eis o outro lado da moeda:

“Era um dia ensolarado, Noé e sua família faziam os preparativos pro grande dia. Enquanto o patriarca passava a ultima demão de tinta na proa junto com seu filho Jafé, a sua esposa varria o convés a espera dos animais que eram enfileirados por Cam e Sem.
Nas redondezas o burburinho era grande. Já que apenas um casal de cada espécie teria o privilégio de salvar-se, a inveja tomava conta na floresta. A girafa se lamentava, o elefante estava indignado com o processo de escolha, a hiena só ria, um leão que se achava o rei estava mais confuso que os peixes, que não entendiam o porquê daquele alvoroço todo. “Por que esse medo todo de água?”, indagava uma truta.
Enquanto isso, um tigre, junto de sua mulher e seus dois filhotes, implorava a Nóe que lhe desse uma passagem para a arca. Dizia que estavam levando os tigres errados e que provaria que Noé estava enganado. O dono da arca simplesmente fez um sinal com a cabeça dizendo que não, guardou as tintas e o pincel, e adentrou na arca. O Tigre saiu frustrado com a aparente derrota, mas não desistiria de seus sonhos assim tão fácil. Não se renderia por causa de uma chuva.
É chegado então o grande dia. Noé conferia a lista de chamada e colocava os animais para dentro da arca, enquanto sua esposa e seus filhos acomodavam cada casal em seu devido lugar. “Nada dos leões perto das zebras!”, “Não! Separa o casal de elefantes. Um de cada lado, senão a arca capota na primeira curva!”, orientava o patriarca.
As primeiras gotas já haviam começado a cair. Segundo a meteorologia divina, a chuva não daria trégua por 40 dias e 40 noites. Todos a bordo, a arca é então fechada. Os animais do lado de fora ainda procuravam explicação para aquilo tudo. Muitos buscavam abrigo nos lugares mais altos que pudessem chegar, enquanto outros se preparavam para o fim da vida. A macacada, sempre ligeira, já ocupava os topos das maiores árvores. O Tigre, o ignorado por Noé, treinava natação junto com a família, sabia que poderia aguentar se fosse valente e faria de tudo pra salvar a si e suas crias.
A cada dia as águas se enchiam mais. Os topos dos montes já estavam quase desaparecendo, as árvores já estavam todas cobertas por água, quase toda forma de vida animal terrestre estava extinta fora da arca. O Tigre, bem preparado, nadava e nadava, e dava forças para sua família e juntos iam seguindo naquele oceano sem fim. A chuva não parava e o corajoso Tigre enfrentava furacões e tubarões, e ganhava mais força a cada dificuldade superada. Depois de 40 dias e 40 noites a chuva cessou. A família felina aguentara tudo aquilo se alimentando de peixes que davam bobeira por perto e descansando em troncos que boiavam na superfície. Já estavam exaustos, mas depois da tempestade vem a bonança, e eles tiveram forças para aguentar os mais 110 dias até as águas baixarem. Sim, eles sobreviveram.
Foram tantos dias em alto mar, que os tigres haviam atravessado continentes. Quando enfim se encontraram em terra firme, perceberam um clima diferente. Pareciam estar mais ao sul do mundo. Belas praias enfeitavam o ambiente e se mostrava um lugar perfeito para reinar. A partir daquele momento, nada mais poderia assustar o poderoso Tigre, e era incrível como ele parecia ganhar mais forças em dias de chuva. 
Ali o Tigre procriou e povoou a região com seguidores fieis que sentiam orgulho de poder fazer parte daquela legião. E conquistou mais do que se poderia imaginar. E foi mais longe que qualquer outro tigre na história desse planeta. 
No fim, Noé estava enganado. 
Sorte a nossa, pois aqui ele reinou e reina até hoje.”

Criciúma, o maior de Santa Catarina.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O dia de amanhã

- De repente, eu acordo, e me vejo com 83 anos. Um sonho? Não, completamente o contrário. E o que antigamente, lá pelo começo dos anos 2000 parecia ruim, piorou.
            Em pleno ano de 2075 o mundo vive abalado, porém, um pouco aliviado com o final da 3ª Guerra Mundial. O motivo dela? A água. E o pior de tudo, é que o Brasil que tem água em abundância foi o que mais sofreu.
            Cidades destruídas, famílias horrorizadas e a nossa honra arruinada. “Verás que um filho teu não foge à luta”, não foi bem isso que se viu nesse momento de terror. Quem tinha dinheiro saía do Brasil, ia para o exterior assistir pela televisão essa atrocidade. Enquanto que o povo brasileiro, o povo sofrido mesmo, se defendia como podia. Dava o seu jeito de sobreviver como sempre fez. Até porque se fosse para fazer um manual de sobrevivência, qualquer brasileiro colocaria aqueles apresentadores da Discovery e afins no chinelo.
            Realmente o que me deu uma lástima de esperança nesse triste período, foi ver esse povo se ajudando como podia. Pensava que o homem estava perdendo seus princípios. Perguntava-me até quais eram os princípios humanos. Quem é o homem na sua essência? O bem ou o mal iria prevalecer no caos? Enfim, eu vi um povo solidário até nos aparentes últimos momentos. Pessoas se doando pelos outros. Seria a fé do brasileiro? Seria a esperança de algo maior pra depois dessa vida? Pouco importa. O que fazia sentido naquele momento era ver que ainda temos chance. Temos chance de um mundo mais humano, mais altruísta, mais nosso, mais de todos.
            Eu me vejo aqui deitado nessa cama de hospital, enquanto um robozinho simpático vai colocando uma perna mecânica em mim. Foi triste acordar sem uma perna, depois de ver a minha casa derrubada por uma bomba. A minha velha não teve a mesma sorte, Deus escolheu ela pra viver melhor e mais tranquila ao lado Dele. Enquanto que para mim, Deus enviou um anjo numa roupa de bombeiro, que me tirou dos destroços e salvou minha vida.
            Um triste fim pra um velho como eu. Já não sei o que fazer sem minha companheira, sem nosso lar que nos abrigou durante nossos 61 anos de casado, que guardava todas nossas lembranças, histórias de vida. Todo o material da nossa história agora se limita a minha já fraca memória. Estou realmente confuso.
Porém, seria muita injustiça com aqueles que me salvaram se eu deixasse de viver a vida e de sorrir. Sei que me falta pouco tempo, mas nunca é tarde pra recomeçar. E depois de tanta destruição é tempo de recomeçar. Vou me fazer útil até o meu último suspiro, parafraseando Raul sei que minha cabeça não vai agüentar se eu parar. Tenho tanto pra ensinar, tanto ainda para aprender. Quero viver!
Sinto minha cruz pesando cada vez mais. Mas serei forte pra conseguir carregar todo esse sentimento de perda e de dor. Pois o homem que se prende ao passado é infeliz no presente, pois passado é para se recordar não para viver.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sobe?!

-Bom dia!
-Opa!
-Que tempinho, ein?!
-Pois então...
    *Tlin*
-Tchau!
-Até mais!

          Nós, seres humanos comuns, não sabemos de fato como se portar dentro do elevador. É realmente algo mágico e estranho. Bate aquela sensação imediata de se calar e esperar apreensivo a luz acender no número do andar desejado.
         Quando não se calamos, o assunto ouvido dentro dessa misteriosa caixa metálica é o tempo. Bendito seja o criador do dia chuvoso, do dia ensolarado, dos dias de "tempo louco". O que seria de nós sem esses preciosos assuntos?!

- Tempo estranho, né?

- Ufa! Calorão ein!

- Essa chuvinha é boa pra ficar dormindo!

          Assuntos curtos, mas que duram o tempo suficiente até chegar ao seu destino, deixando a situação menos embaraçosa e mais sociável.
          Porém, nem tudo é um mar de rosas! Maldito dia em que você encontra duas vezes a mesma pessoa neste recinto. Você fica pensando "Putz! De novo ele! O que dizer agora?! Vejamos: tempo, chuva... Meu Deus! Esgotaram-se os assuntos!". Nesse instante ou você é salvo pela perua do 403 que entra com seu poodle reclamando que o tempo vai acabar com seu cabelo, ou você estará sujeito ao seu pior pesadelo. Os segundos passam como se fossem horas, seus olhos fixos nos números dos andares deixam transparecer certa agonia. E o alívio só vem na despedida, com o começo para uma nova vida.
          Digo isso com propriedade, quem passou por essa tortura encara a vida de outra maneira. Agora, além de analisar o tempo, começa a dar uma conferida no caderno de esportes também!